5 Estranhas Curiosidades Sobre Singapura

Enfeites em Little India, Singapura.

Enfeites em Little India, Singapura.

Neste post você vai encontrar algumas curiosidades que descobri em Singapura nestes 3 anos e 1/2 morando por aqui.

Após percorrer a internet em busca de respostas (lotada de clichês como a suposta proibição de mascar chicletes 🙄 e outras besteiras), resolvi dividir com vocês os principais achados da minha pesquisa:

Coisas que os expats que moram aqui sempre quiseram saber, mas tinham vergonha de perguntar!

Dos quitutes bizarros do ano-novo chinês, aos tiozinhos malucos que dirigem táxis, veja abaixo o que ninguém nunca tinha me explicado antes…

CURIOSIDADES SOBRE SINGAPURA

Joo Chiat, bairro de Singapura.

Joo Chiat, bairro de Singapura.

1. Kopi, o café no saquinho plástico

Da série fatos incompreensíveis: o café para viagem (ou tapao como dizem em Singlish), não é servido em um copinho plástico, mas em um saquinho plástico.

Vendidos em kopitiams (cafeterias locais) ou hawker centers (stands de comida de rua, que na verdade não ficam na rua), existem tantas variedades de kopi em Singapura quanto modalidades de café na Itália. 

São mais de 3 mil kopitiams espalhadas em Singapura, e uma xícara (ops, saquinho) de kopi pode custar de 0,80 centavos a 1,50 dólares singapurianos (SGD), ou seja, em torno de 1 dólar americano.

Primeiro os grãos de café são torrados com açúcar e margarina em um wok, às vezes usando também abacaxi até ficarem bem escuros. Depois são moídos e coados em um coador de algodão parecendo uma meia grossa de lã.

Alguns exemplos de kopi:

Kopi: Café preto + leite condensado (o tradicional, bem basiquinho)

Kopi Peng: Café preto + leite condensado + gelo (para o verão, ou seja, para o ano todo)

Kopi-O: Café preto + açúcar (será que o “O” anula o leite condensado?)

Kopi-O-Kosong: Café preto sem açúcar (para quem está de dieta, talvez)

Kopi-O-Kosong Peng: Café preto sem açúcar + gelo (ah tá, para emagrecer e refrescar, acho)

Kopi Gah Dai: Café ++ leite condensado extra (sério)

E muito muitos outros...

Mas porque usar saquinhos plásticos ao invés de copos descartáveis?! 👀

Kopi, muito prazer. Foto: Patti Neves

Kopi, muito prazer. Foto: Patti Neves

Acredita-se que seja por pura economia mesmo, ou algo que o saudoso Caco Antibes teria classificado de “pobrisse”.

Tanto para fornecedores como para clientes, os sacos de plástico costumam ser uma opção mais barata. E isso acontece em outros países da Ásia, como a Malásia ou as Filipinas.

De acordo com Drinks in Plastic Bags: an Alternative History, a tendência pode ter começado com as garrafas de Coca-Cola, que ainda são feitas de vidro e consignadas em alguns desses países, ou seja, precisam ser retornadas para o comerciante. Mas em Singapura, não é o caso.

Mesmo assim, o povo insiste em colocar o café fervendo dentro do saquinho, ao invés de usar um copo.

Não é difícil ver locais pendurando o saquinho nos retrovisores do carro enquanto dirigem. Talvez uma prática alternativa para esfriar o café? 😅

Em todo caso, esses saquinhos plástico não são mais ecológicos do que as versões descartáveis consideradas mais “ricas”.

Não vemos isso em Singapura, mas em países mais pobres como Mianmar e Camboja, os saquinhos invariavelmente acabam nos oceanos, cursos d'água e aterros sanitários.

É bem triste.

2. Abalone, a fina iguaria que ninguém gosta

O abalone é um tipo de crustáceo que não pode faltar na mesa durante a passagem do ano chinês, chamada aqui de Chinese New Year (CNY).

Pense no peru de Natal para os ocidentais. Pois bem, o abalone está para a ceia do CNY como o peru está para a ceia de Natal no Ocidente!

É uma dessas iguarias raríssimas que os chineses adoram, juntamente com as barbatanas de tubarão e a sopa de ninho de pássaro.

Mas a parte curiosa vem agora: embora seja muito caro, muitos dos chineses não acham o abalone tão delicioso, e alguns até descrevem o sabor como “forte”, “emborrachado” e “sem graça”.

Então, por que eles continuam consumindo abalone? E por que pagar tão caro por eles?

Leia também: Onde comer em Singapura

Abalone. Vai encarar?

Abalone. Vai encarar?

Uma possível razão é a raridade. Abalones não crescem em qualquer lugar do mundo. Apenas alguns litorais “sortudos” são propícios para o desenvolvimento desses bebês preciosos. Portanto, de acordo com a lei da oferta e da procura, o preço do abalone é naturalmente alto.

Além disso, a colheita de abalone é um trabalho difícil. Eles devem ser colhidos manualmente, um à um, por mergulhadores especializados.

Uma outra razão, mais interessante, citada pelo site Goodyfeed, é que no passado, certos tipos de comida eram tão incomuns e difíceis de conseguir, que o risco de obter o alimento superava qualquer benefício de saúde (se é que houvesse) ou a gratificação de comê-lo.

E se por acaso um homem bonito, em vestes extravagantes, sentado em um trono chic com o título "Imperador" ordenasse comidas desse tipo, com certeza iria chamar a atenção.

E foi provavelmente o que aconteceu. Carne de tigre, patas de urso, e outras iguarias exóticas, embora sem benefícios reais para a saúde, acabaram virando tendência por causa dos gostos excêntricos de alguns imperadores chineses.

Um tempo depois, assim que o cultivo comercial tornou o abalone mais acessível ao povo, as pessoas comuns quase enlouqueceram… afinal, todo mundo queria parecer parte da elite.

E depois ainda reclamamos dos influencers de hoje em dia… 😅

Mais curiosidades sobre Singapura? Que tal fazer um food-tours tradicional?

Clique nas fotos abaixo.

Ou veja detalhes nos links:

3. Hungry Ghost, o festival dos fantasmas famintos

O Hungry Ghost Festival celebra a crença taoísta na vida após a morte.

Comunidades chinesas na Malásia, Tailândia e Singapura acreditam que as portas do inferno estão abertas no sétimo mês lunar, liberando os espíritos dos mortos para vagar pelo mundo dos vivos… 👻

Os vivos, por sua vez, devem fazer oferendas de comida e dinheiro para as almas dos mortos para apaziguá-los.

Isso significa que no mês de Agosto, qualquer visitante de Singapura estará exposto à ofertas de comida, incenso e dinheiro queimado deixados pelas calçadas e ruas (lembrando um pouco o nosso despacho de macumba).

E já que não é sempre possível sair queimando dinheiro vivo, carros ou roupas “de marca”, algumas indústrias produzem esses itens em papel e saem vendendo em lojas especializadas.

Os Singapurianos são ávidos consumidores desses bens materiais, mas nada supera as bolsas Chanel ou os sapatos Louis Vuitton de papel que encontrei uma vez no Chinatown de Bangkok!

Sapatilhas de papel, Chinatown, Bangkok. Foto: Patti Neves

Sapatilhas de papel, Chinatown, Bangkok. Foto: Patti Neves

Sim, esses itens são produzidos em massa, especialmente para serem queimados e oferecidos aos hungry ghosts.

Os fantasmas em questão inspiram pena (e medo) pois representam os espíritos que foram negados no céu - ou que não têm descendentes na terra para fazer oferendas em seu nome. Alguns deles estariam tentando levar os vivos para tomar o seu lugar no inferno...😈

No mês de Agosto e Setembro algumas áreas de Singapura se transformam em off-limits para os taxistas, que se recusam em passar em algumas ruas potencialmente assombradas.

Salvem-se quem puder!

4. Feng Shui, as forças invisíveis de Singapura

Dizem as más línguas que nada em Singapura é construído sem o consentimento do Feng Shui Master da cidade. Entre teorias de conspiração e estórias de jornais, fica difícil descobrir a verdade.

Em todo caso, o Feng Shui é a arte de orientar edifícios e objetos de acordo com um sistema que os harmoniza com o ambiente circundante. Traduzido, o termo significa vento-água e forma as fundações da metafísica chinesa - as forças invisíveis que conectam o universo.

Dizem que o hotel Marina Bay Sands fica na confluência de uma forte corrente de energia próspera, de frente para o distrito financeiro do país (CBD), que é considerado um sinal auspicioso para a Marina Bay Sands e a cidade.

A piscina de borda infinita no topo da Marina Bay Sands também representaria um lago no topo de uma montanha gigante (as três torres do resort), considerada completamente em harmonia com os arredores.

Reza a lenda que a roda-gigante de Singapura (Singapore Flyer) rodava no sentido anti-horário, com as costas viradas para a área comercial ao subir e com vista para o mar ao descer, o que tirava a energia “qi” do país, afetando os negócios negativamente.

A situação foi rapidamente remediada no dia 28 de julho de 2008 quando uma mudança de direção (dessa vez favorável ao centro financeiro) começou verdadeiramente a trazer abundância e fortuna para Singapura.

Singapore Flyer, a roda-gigante auspiciosa.

Singapore Flyer, a roda-gigante auspiciosa.

E se você não acredita nessas teorias (confesso que também tenho dificuldades) o tradicional blog Singapuriano Hungzai vai mais longe:

De acordo com o site, o conselho de um venerável mestre levou Lee Kuan Yew (ex-Primeiro-Ministro) a ordenar que a forma da moeda de $ 1 dólar fosse octogonal, para remediar as influências negativas da escavação do MRT (metrô) de Singapura.

“A moeda de um dólar entrou em circulação no momento da construção do MRT. A história conta que o venerável mestre avisou Lee que o trabalho de escavação de túneis do MRT seria ruim para o Feng Shui da ilha...

Entretanto, firme em avançar com o projeto, Lee perguntou se havia algo que pudesse ser feito para contornar o desastroso Feng Shui do metrô. O mestre respondeu que sim, mas que a solução seria provavelmente impossível de implementar:

“TODOS os habitantes da ilha de Singapura devem ter um Pak Kwa (símbolo octogonal, de 8 lados) em sua possessão”.

Mas como o Ministro Lee poderia forçar todos os lares a terem um "Pak Kwa" em casa?

Moeda de Singa. Crédito:  FengShui Beginner

Moeda de Singa. Crédito: FengShui Beginner

Colocando o Pak Wa no design da moeda de um dólar Singapuriano!

Quer conhecer mais curiosidades sobre Singapura? Faça um tour Feng Shui!

Clique nas fotos abaixo para ver mais:

Ou consulte os links para mais detalhes:

Obs: o ex-ministro Lee deu entrevista ao Straits Times dizendo não acreditar em “números” ou Feng Shui, mas aconselhando as pessoas a prestar atenção nesses detalhes no caso de uma compra de uma casa… 🤔

5. Os taxi-uncles no volante

Eu poderia escrever um livro à respeito desses curiosos personagens. Queridos e irritantes, dóceis e teimosos, ou até mesmo convenientemente surdos, quem é que nunca pegou um tiozinho do táxi pra lá de esquisito?

Geralmente eles se dividem em dois tipos: o chinese stressed-type (aquele que não deixa você terminar uma frase, geralmente não te escuta e/ou fala ao mesmo tempo que você) e o tiozinho cool, aquele bonzinho sempre procurando puxar papo com estrangeiros.

Independente da personalidade, qualquer um deles pode demonstrar uma habilidade questionável ao volante.

Alguns dirigem de forma bizarra, pisando no acelerador ou freando em intervalos regulares, normalmente a cada 3-4 segundos.

Outros brincam com a direção, puxando pra direita ou esquerda, como se tivessem dirigindo um carrinho de brinquedo… 👀

E aí você se pergunta: por que?!

Táxis em Singa no horário de pico.

Táxis em Singa no horário de pico.

Bem. Esse é um mistério que ainda não consegui desvendar completamente.

Pesquisas nos confins da web e conversas aleatórias com Singapurianos demonstraram que o trend “acelera, deixa perder velocidade, acelera, deixa perder velocidade…” é prática disseminada entre alguns motoristas chineses, no intuito de economizar combustível (!)

Não posso escrever sobre a eficácia desse estilo indigesto de direção, mas acredito que se fosse válido, já estaria sendo usado em outras partes do mundo. Pelo que percebi, o estilo também pode ser observado ocasionalmente em Hong Kong, mas não é assim uma unanimidade na China.

Por último, os tios também tem um gosto particular para música - e aqui entram também os condutores de Grab, Gojek e os xovens de qualquer idade:

Alguns parecem viver em um túnel do tempo entre os anos 80 e 90, escutando sucessos pop como Paula Abdul, Cindy Lauper, e coisas que nem tenho certeza que realmente existiram (como por exemplo, Vanilla Ice)…

Após ter escutado esse tipo de flashback até em festas do meio corporativo, fica difícil acreditar que inovações como o Jewel saíram da cabeça de profissionais que andam por aí escutando fitas-cassetes em walkmans.

Pura contradição…

Leia: 5 mentiras sobre Singapura

Jewel, no aeroporto de Singapura. Foto: Patti Neves

Jewel, no aeroporto de Singapura. Foto: Patti Neves

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