5 Mentiras sobre Singapura

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5 Mentiras sobre Singapura

Desde que cheguei em Singapura (cidade leão, em sânscrito) em 2015, depois de ter morado muitos anos em cidades ditas liberais, como Montréal e Paris, faz parte da minha rotina ter que me defender de engraçadinhos que adoram me perguntar quantas chibatadas já levei.

Quem me conhece sabe que sou uma pessoa de ideias super liberais. Como foi que eu vim parar em um país tão rígido?

São vários os mitos sobre Singapura, mas muita gente que nunca veio até aqui ou só passou poucos dias como turista, já se acha no direito de espalhar fake news sobre a nossa querida Lion City (o leão de Singapura também nunca existiu, diga-se de passagem)…

Então vamos lá. Chega de abobrinha, meu povo!

Veja abaixo os boatos mais famosos sobre Singapura:

1. É proibido mascar chiclete em Singapura

A afirmação favorita dos jornalistas do mundo inteiro, repetida incontáveis vezes sempre que se fala na cidade-país, é na verdade… FALSA.

O estardalhaço começou com uma lei restringindo a distribuição de chicletes no Control of Manufacture Act (lei que rege produtos como álcool e tabaco) em 1992.

Nessa época, o metrô, o maior projeto de transporte público da história de Singapura, havia sido implementado e o custo do projeto mal havia sido digerido quando alguns engraçadinhos começaram a grudar chicletes nos sensores das portas.

Preocupados em economizar dinheiro público, o governo sancionou a curiosa lei restringindo a venda de chicletes, o que causou ENORME repercussão internacional…

Um repórter da BBC tentou sugerir que “leis tão duras poderiam afrontar a criatividade das pessoas”, mas o ex-Ministro Lee Kuan Yew não deixou por menos e disparou na época:

“Se você precisa mastigar para pensar, experimente uma banana!”

Foi o começo de uma lenda.

Leia também: Thaipusam, o festival mais doido de Singapura

A verdade é que a lei acabou revisada em 2003 , quando George W. Bush e Goh Chok Tong sentaram para discutir assuntos “importantes”.

O governo de Singapura consentiu que chicletes sem açúcar fossem finalmente vendidos por farmacêuticos ou dentistas.

Desde então, há exatamente 15 anos, qualquer pessoa normal pode consumir chicletes (como sempre pôde, aliás, pois a lei só restringia a compra e venda)!

Na verdade os chicletes se encontram esse tempo todo “escondidos” em qualquer farmácia normal. Confesso que nunca tentei comprá-los no dentista, mas deve ser uma experiência interessante.

Esclarecido o mito, ninguém precisa se preocupar!

Yummy! Viva os chicletes. Foto: Pixabay

Yummy! Viva os chicletes. Foto: Pixabay

2. Singapura é um país de negócios, não de turismo

Eu poderia testemunhar sobre vários amigos, brasileiros e gringos, que vieram à Singapura para passar somente 3 dias em casa e que acabaram se arrependendo de ter ficado tão pouco, mas talvez minha experiência pessoal não seja um argumento convincente para o item número dois.

Por essa razão, eu sempre tento lembrar aos amigos interessados que por causa do caldeirão cultural que forma o país (chineses, malaios e indianos), Singapura oferece festivais étnicos super bacanas praticamente o ano todo.

Além do mais, Singapura conta com inúmeros templos hindus, budistas e taoistas, ótimos para quem quer descobrir um pouquinho de cada cultura…

Um bom exemplo é o Thaipusam, festival Tâmil que acontece todos os anos, onde os devotos perfuram o corpo com os mais diferentes objetos (inclusive pendurando frutas pelo corpo todo) numa colorida procissão pela cidade.

Em tempo normal, alguns bairros (como o Little India ou Arab Street) oferecem uma mini-versão do que o viajante poderia encontrar nos países ao redor, com sons, odores e músicas que já nos fazem viajar por aqui mesmo.

E para quem está procurando diversões mais ocidentais, Singapura tem uma ilha toda (Sentosa) inteiramente dedicada ao lazer, com praias, parque aquático, restaurantes estrelados Michelin e até um parque Universal Studios.

Leia também: 5 Festivais imperdíveis em Singapura!

Tem gosto para tudo, não é? Só não vale dizer que Singapura só tem bancos e escritórios.

Laneway festival em Singapura. Foto: Patti Neves

Laneway festival em Singapura. Foto: Patti Neves

3. Os singapurianos são, na verdade, chineses

Essa é para a galera que gosta de colocar “todo mundo no mesmo saco” e generalizar as ideias sobre a Ásia.

Parece óbvio, mas já ouvi tantas vezes essa afirmação que gostaria de saber como os nossos conterrâneos se sentiriam se outros estrangeiros nos rotulassem de “iguais aos portugueses” ou pior “iguais aos argentinos”.

Quando se mora aqui um tempinho, percebe-se a distinção clara de identidade entre as nacionalidades, apesar de ser muito difícil julgar apenas pela aparência física…

O mais engraçado é que os singapurianos de origem chinesa, educados com uma mentalidade ocidental (influência do período colonial britânico), na maior parte do tempo estranham (e muito) o comportamento de seus ascendentes.

Para ilustrar esse fato, uma vez estávamos na fila do aeroporto bem atrás de singapurianos (de aparência chinesa), quando a fila toda se virou para assistir a um “tropé” de pessoas gritando em mandarim.

Os singapurianos à nossa frente não hesitaram um só segundo a revirar os olhos, exclamando “Aff… chineses!”. Não estou generalizando sobre as maneiras de um ou outro povo, o ponto aqui é somente apontar as diferenças culturais.

Eles não são “iguais” a nenhum outro povo. Simples assim.

4. Todo mundo (ou quase) em Singapura é milionário

O país com o custo de vida mais alto do mundo e a maior concentração de milionários por metro quadrado pode, a princípio, inibir visitantes de todas as nacionalidades.

Tive amigos franceses que me ligaram de Paris, super preocupados antes de vir para cá… mas a verdade é que alguns dados enganosos confundem as pessoas.

A grande mídia adora atenção, e o que seria dela sem os títulos garrafais, mas em uma época onde a maioria das pessoas só lê o título das notícias, fica difícil convencê-las de que as médias matemáticas não são tão significativas assim.

Considerando que o aluguel é bem alto, e que o valor de compra de um carro é simplesmente o mais alto do mundo, esses custos entram na conta do custo de vida em Singapura e fazem a balança pesar.

Mas convenhamos, se você não vai morar em Singapura e nem pretende comprar um carro, pra quê se preocupar?

O resto é bem normal. O transporte coletivo é infinitamente mais barato que em Londres.

Opções de comida boa e barata existem aos montes.

Leia também: Onde comer (bem e barato) em Singapura

Posso garantir, por experiência própria, que é bem mais fácil comer fora aqui do que em Paris!

Entendedores, entenderão. É sério mesmo minha gente…

Hotel Park Royal em Singapura, todo trabalhado no verde.

Hotel Park Royal em Singapura, todo trabalhado no verde.

5. Singapura é uma selva de pedra

Talvez porque o país acaba sempre mencionado como “exemplo de modernidade” e que as fotos de arranha-céus são sempre destaque do setor de turismo, uma boa parte das pessoas ignora que a cidade faz um esforço tremendo para conservar o máximo possível de área verde.

O governo tem o capricho de plantar trepadeiras e flores em boa parte dos viadutos, passarelas e vias públicas, o que esconde bastante o aspecto “concreto” dessas estruturas.

A cidade-estado também conta com inúmeras reservas naturais com animais silvestres (javalis, lontras e macacos) e pasmem, na selva de pedra de Singapura existem até crocodilos livres.

Crocodilo no parque de Sungei Buloh. Foto: Richard Seah/Straits Times

Crocodilo no parque de Sungei Buloh. Foto: Richard Seah/Straits Times

Por alguma razão estranha não consigo imaginar crocodilos soltos no Ibirapuera!

É ver para crer… Talvez a selva de pedra esteja mais para selva mesmo (em alguns bairros)…

Singapura tem muitos fatos “verdade” também, como o calor intenso, a umidade, a quantidade de insetos… mas vou deixar esse assunto para outro post.

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