Voluntariado Com Animais (Sudeste Asiático)

Em um mundo onde “influencers” tiram fotos montando elefantes na Tailândia e ganham milhares de curtidas de seguidores mundo afora, veja aqui como ir na contramão e dar o bom exemplo, fazendo voluntariado com animais no Sudeste Asiático.

Não tem tempo nem dinheiro para ajudar?

Tudo bem, talvez você possa ao menos fazer uma visitinha em uma dessas instituições! Esta é uma boa oportunidade de ver animais raros sem causar o impacto negativo que a indústria do turismo anda causando.

Todos nós já lemos sobre os terríveis abusos que sofrem os elefantes na Tailândia (se você não leu, fica aqui a dica: NÃO é legal montar em elefantes) ou sobre a terrível exploração que sofrem os tubarões baleia em Oslob (Cebu), Filipinas.

Também não teria como escrever esse post sem falar dos frágeis tarsiers das Filipinas (quase extintos) e muito menos esquecer dos orangotangos, que continuam a ser dizimados pelas indústrias que exploram o óleo de palma e derivados na Indonésia e Malásia. 

Em um mundo ideal, todo mundo deveria ter oportunidade de ver os bichos na natureza sem interferir no meio ambiente (e sem precisar recorrer aos zoológicos, claro).

 Lóris do Endangered Primate Rescue Center .  Foto:  EPRC

Lóris do Endangered Primate Rescue Center. Foto: EPRC

Voluntariado com animais no Sudeste Asiático

Sempre há muita dúvida à respeito de organizações éticas envolvendo animais nos países em desenvolvimento. A mistura de turistas teoricamente abonados e a pobreza local favorecem a disseminação de tristes associações, incluindo shows de serpentes na rua, macacos adestrados e outros horrores.

Qualquer pessoa educada deveria passar longe desse tipo de "atração" mas infelizmente algumas organizações conseguem legalizar negócios tão grandes (leia-se os Seaworlds da vida) que isso acaba confundindo até as pessoas mais conscientes.

Pensando nisso, comecei a procurar organizações onde as pessoas pudessem visitar (ou voluntariar) realmente fazendo a diferença para as espécies em questão.

Obs: voluntariado não significa que você vai ficar hospedado gratuitamente, infelizmente a maioria dessas instituições precisam de fundos para continuar a funcionar. Contribuindo para mantê-las, ao menos você terá a certeza de contribuir em causas que realmente necessitam ao mesmo tempo em que vive momentos inesquecíveis.  

 

1. Boon lott elephant sanctuary (Tailândia)

 Santuário Boon Lott, na Tailândia. Foto:  Blesele

Santuário Boon Lott, na Tailândia. Foto: Blesele

Elefantes usados em atrações turísticas (infelizmente um caso comum na Tailândia) estão por toda a parte.

A boon Lott (sobrevivente em Thai) resgata os elefantes dos "proprietários" que abusam os animais e traz uma lufada de ar fresco, libertando elefantes de seu trabalho escravo habitual. 

Os voluntários ficam alojados por períodos de  3-5 dias (em média), e ajudam com tarefas simples: buscar a comida dos elefantes na selva, guiar os os elefantes nas pastagens, dar banho neles, levá-los para nadar no rio, interagir com as famílias locais, plantar árvores etc.

O custo por hóspede é de 6000 baht (180 US$) e inclui todas as refeições, transfers no Aeroporto de Sukhothai (ou na estação de trem ou ônibus) e serviço de lavanderia.

Obs. As negociações para resgatar elefantes são duras na Tailândia. Muitas vezes o dinheiro oferecido pela instituição para a compra dos animais não é suficiente e os proprietários dos elefantes acabam vendendo-os para outros abusadores (que pagam bem, pois transformam os bichos em sua fonte de renda principal).

Existem muitos argumentos de que os elefantes usando no turismo alimentam pessoas, mas será que a raça humana, animais racionais, não teriam realmente outra escolha para sobreviver?

Leia também: Tailândia, destino modinha?

Onde:

Boon Lotts Elephant Sanctuary
 304 Mu 5, Baan Na Ton Jan, Tambon Baan Tuek, Si Satchanalai, Sukhothai, Thailand 64130

Contato: Blesele 

 

2. Large Marine Vertebrates Research Institute Philippines (Filipinas)

 Tubarão baleia, Filipinas. Foto:  Lamave

Tubarão baleia, Filipinas. Foto: Lamave

Se você sempre sonhou em nadar com os tubarões baleia, já pode realizar esse desejo de forma ética.

Como muitas pessoas sabem, Oslob,  a famosa cidade ao sul da província de Cebu, é muito conhecida pelas aparições de tubarões baleia. É só dar uma olhadinha no Instagram de alguns influencers e a gente já começa a pensar na "sorte" que eles tiveram por conseguir encontros tão magníficos e fotos tão suntuosas.

A verdade é que o circuito turístico de Oslob deveria estar totalmente fora de questão para qualquer pessoa sensata ou ao menos para aquelas que dizem amar os animais.

Tudo começou quando os pescadores da área notaram que os animais eram dóceis, e daí foi um pulo para começarem a alimentar os animais frequentemente como forma de mantê-los para sempre dependentes.

Isso fez que os milhares de turistas, centenas de barqueiros, e outros interessados atingissem o seu objetivo (de garantir sempre os tubarões na área) sem se importar em  interromper o ciclo migratório dos animais, que hoje já correm o risco de se extinguir. Então, NÃO, não tem nada de bacana em ir até lá e pegar um "passeio" só pra fazer snorkeling e tirar fotos. Se você fizer, vai ficar parecendo um turista bobão e ignorante, só isso!

A Lamave é uma organização que estuda e contabiliza os tubarões baleia da áreas de Donsol, Oslob, Leyte e Puerto Princesa, a capital da província de Palawan (Filipinas).

Eles também estudam manta bowls e tartarugas na área.

Leia também: Nas ilhas remotas de Palawan, Filipinas

 Voluntariado no Sudeste Asiático inclui Mantas. Foto: Pixabay

Voluntariado no Sudeste Asiático inclui Mantas. Foto: Pixabay

Desde o início de suas atividades em 2016 centenas tubarões-baleia foram identificados nessas regiões e alguns estão sendo rastreados por satélite. Entender o ciclo migratório desses animais já é um grande passo para começar um programa de conservação.

Nessa fase os voluntários ajudam a fotografar e identificar os animais por meio de programas de computador, dados coletados manualmente e informações fornecida pelos satélites, com o objetivo de tentar entender sua sazonalidade e o uso do habitat. 

Você pode baixar o Porto Princesa volunteering pack  ou o Cebu volunteering pack e decidir por você mesmo se poderia participar. A acomodação (com 3 refeições incluídas e viagens dentro do contexto do projeto) sai por 450 US$/mês e alguns programas podem durar até 3 meses. O requisito básico é saber nadar bem mas em alguns casos freediving (mergulho sem scuba) pode ser exigido e eles não brincam em serviço: as profundidades podem chegar à 10m! Entre em contato com a entidade para sanar suas dúvidas.

Outras opções: voluntariar com tartarugas ou manta-rays. Baixe os programas detalhados aqui: Apo island turtle project  e Manta bowl information pack. Para o projeto das mantas é necessário ter certificação PADI avançada. 

Onde: 

Large Marine Vertebrates Research Institute Philippines (LAMAVE)

Tejero Jagna, Bohol 6308, CN201425897, Phillipines

Contato: LAMAVE 

 

3. Philippine Tarsier Foundation Inc. (Filipinas)

 Tarsier em Bohol, Filipinas. Foto: David Mattatia

Tarsier em Bohol, Filipinas. Foto: David Mattatia

Tarsiers (társios em português) são minúsculos primatas, com olhos tão imensos que em alguns casos chegam a ocupar mais espaço na caixa craniana do que o cérebro. Eles vivem principalmente nas Filipinas, especificamente em Bohol, mas também podem ser encontrados em Samar, Leyte e Mindanao. 

É difícil encontrar um animal mais fofo! Eles são muitos frágeis e existem relatos de mortes induzidas por stress agudo (leia-se flashs fotográficos e manipulação humana), portanto todo cuidado ao redor deles é pouco.

Infelizmente a situação nas Filipinas é obscura quando se trata de organizações pretendendo ser unidades de conservação de tarsiers. Existem pelo menos duas com a menção "conservation" no nome mas que poderiam ser catalogadas como "tourists traps". Evitem de visitar os tarsiers na Tarsier Conservation Area in Bilar (Loboc) em Bohol. Eu mesma fui parar lá por engano e gostaria de ter sabido disso antes. Alguns guias locais vão tentar te enrolar pra economizar na gasolina e vão tentar te convencer de que você está no lugar certo. 

Em compensação, a Philippine Tarsier Foundation mantém uma reserva florestal na ilha de Bohol que serve como um verdadeiro santuário de tarsiers filipinos e conta com a participação ativa das comunidades locais. Eles mantém um laboratório de pesquisa com ênfase na proteção e conservação da espécie. Logo atrás do prédio principal da fundação, há um santuário onde vivem os preciosos animais. Os voluntários ficam em contato direto com a selva e com todos os outros bichos que lá vivem (incluindo insetos). Você poderá entrar em contato com a fundação diretamente para saber mais sobre o programa de voluntariado.

No caso de uma visita expontânea, você só precisa aparecer na sede (sem reserva) e pagar o equivalente a 60 pesos (ou US$ 1,50 na data de publicação desse artigo) para vê-los, e quem sabe fotografá-los (SEM FLASH por favor)!

Onde:

Philippine Tarsier Foundation  

Km. 14, Canapnapan, Corella, 6337 Bohol, Philippines

Contato: philippinetarsierfoundation@gmail.com (Joannie Cabillo)

 

4. Endangered primate rescue center (Vietnã)

 Macaquinho ameaçado no Vietnã. Foto:  EPRC

Macaquinho ameaçado no Vietnã. Foto: EPRC

Nesse centro de resgate você encontrará 150 primatas representando 15 espécies no total. Sete dessas espécies são mantidas apenas no EPRC e em nenhuma outra instalação no mundo. Como exemplos: o Cat Langur (criticamente ameaçado), o Delacours langur e o Langk Shanked Douc. 

Os animais do centro são mantidos em instalações  semi-selvagens que servem para os preparar para serem soltos na natureza. Lá eles estudam o comportamento dos bichos e você poderá ajudar na reparação das instalações, programas de enriquecimento (brinquedinhos e diversões para os macacos), visita guiada de visitantes,  jardinagem, registros dos animais e até design e marketing de materiais promocionais. Baixe aqui todos detalhes no documento Volunter Information.

Custo: 450 US$

Uma forma alternativa de ajudar é fazer uma visita no centro, onde você poderá observar gibbons, langurs e lorises. 

Onde:

Endangered Primate Rescue Center (EPRC)
Cuc Phuong National Park, Ninh Binh Province, Vietnam

Phone: +84 2293 848 002
Contato: info@eprc.asia

Volunteer: volunteer@eprc.asia

 

5.  Bukit Lawang Trust (Indonésia )

 Orangotando em Kalimatan, Bornéu. Foto:  OFI

Orangotando em Kalimatan, Bornéu. Foto: OFI

Hoje em dia quase todo mundo já ouviu falar da nociva indústria do óleo de palma, componente de iguarias industriais como Nutella, Doritos e inúmeros produtos de beleza (veja a lista de produtos aqui ). Poucas pessoas entretanto trabalham para fazer a diferença, e os orangotangos continuam sob séria ameaça. Contínuo desmatamento, novas estradas e mais plantações de palmeiras surgem a cada dia.

Bukit Lawang é um lugar famoso por oferecer caminhadas na selva para observação de  orangotangos e a maior das aldeias da região. O trust foi fundado depois que a enchente devastadora destruiu a vila principal. Em novembro de 2003, um maremoto de 10 metros de altura atingiu o lugar e destruiu tudo em seu caminho matando muitas pessoas. 

Hoje o centro é focado na conservação e capacitação da comunidade local para proteger e cuidar do Parque Nacional Gunung Leuseur, onde vivem os raros orangotangos de Sumatra.  

Na data atual não consegui encontrar o site oficial da instituição funcionando, mas você poderá entrar em contato com a agência volunteer world ou para visitas de um dia, a jungle trekking.

Contato:

Volunteer World 

Jl. Orang-Utan, Bukit Lawang 20774, Indonesia

 

6. Oragutan Foundation International (Indonésia)

 Orangotando no Sudeste Asiático. Foto:  OFI

Orangotando no Sudeste Asiático. Foto: OFI

O risco de extinção do orangotango no Sudeste Asiático é tão grande que dá vontade de publicar um artigo inteiro só com esse tema. Então só pra deixar bem claro, estou postando mais uma opção aqui:

A OFI (Orangutan Foundation International) em Kalimantan, Bornéu, hospeda equipes de voluntários por 3 semanas, mas também aceita voluntários por até 6 meses.

O programa consiste em manter as instalações da OFI em Kalimantan Central. A OFI também precisa de voluntários especializados de longo prazo para preencher os cargos de Correspondente de Campo e, ocasionalmente, de Voluntários de Enriquecimento. Existem posições também para auxiliar nas tarefas no Centro de Assistência à Orangotangos e na Quarentena em Kalimantan Central. A quarentena é necessária para isolar animals recém-recuperados (no caso deles estarem contaminados, mas às vezes sem demonstrar sintomas nos primeiros dias).

Muitos dos ex-voluntários de campo da OFI trabalham remotamente e suas contribuições são inestimáveis. Eles contribuem para os bastidores do projeto, como por exemplo a manutenção do website da OFI.  

Voluntários devem pagar as taxas de aluguel (aproximadamente US$ 300 mensais) em Pasir Panjang e o valor inclui três refeições por dia, eletricidade e acomodação. 

Onde: OFI

Tebet Barat Dalam, 6A, N 9. Jakarta Selatan, 12810, Indonesia

Toll Free in the US: 800-ORANGUTAN, Ph: +1 (310) 820-4906
General Inquiries: info@orangutan.org 

 

7. Bornean Sun Bear Conservation Centre (Malásia)

 Ursos-do-sol, Malásia. Foto:  BSBCC

Ursos-do-sol, Malásia. Foto: BSBCC

O urso-do-sol ou urso-malaio é o menor, mais arborícola e menos estudado urso do mundo. É a segunda espécie de urso mais rara, logo depois do panda gigante.

Seu nome vem da forma da curiosa mancha dourada que eles têm no peito, que lembra vagamente um nascer do sol. Não existem marcas iguais, cada urso tem a sua marca específica! O comportamento normal desses ursos garantem a saúde da floresta: eles dispersam sementes, mantêm os cupins e ajudam espécies de árvores tropicais. 

A população total de ursos solares diminuiu em pelo menos 30% nos últimos 30 anos, contribuindo para que os ursos-de-sol fossem classificados como "vulneráveis" em 2007, o que significa que eles correm alto risco de extinção.

Os voluntários no centro BSBCC (Sabah, Malásia) aprendem sobre a conservação da vida selvagem com os biólogos, como cuidar de ursos-do-sol, ajudam a alimentar os ursos, limpam instalações e participam no enriquecimento para o bem-estar e desenvolvimento deles.

 O custo, de 1075 US$ (que pode parecer salgado à primeira vista) inclui uma generosa doação, despesas de acomodação, todas as refeições, traslados para o aeroporto, transporte para o BSBCC todos os dias, e camisetas da organização.

Onde: BSBCC 
PPM 219, Elopura, 90000 Sandakan, Sabah, Malaysia
Ph: +60 89-534491

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Eu mesma administro o grupo, que conta com vários expatriados morando na área. 

Leia também: Como Viver viajando

 

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 Voluntariado com animais no Sudeste Asiático. Photo:  Hannahstocking

Voluntariado com animais no Sudeste Asiático. Photo: Hannahstocking

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