Nas Ilhas Remotas de Palawan (Filipinas)

 Expedição TAO nas ilha remotas de Palawan, Filipinas. Foto: Patti Neves

Expedição TAO nas ilha remotas de Palawan, Filipinas. Foto: Patti Neves

A nossa expedição pelas ilhas remotas de Palawan, Filipinas, foi TUDO e um pouco mais.

O roteiro da Tao prometia escapar do "circuito mainstream" partindo da área turística dos lagoons de Coron e rumando para El Nido, mas somente atracando nas ilhas não frequentadas pelos turistas, onde teoricamente somente os moradores locais teriam acesso. 

Um projeto bom demais pra ser verdade? E o que seria essa Tao companhia finalmente?  

Segundo o website deles, a Tao Philippines começou suas atividades com dois amigos velejando um velho barco de pesca, um mapa, e nenhuma rota definida.

A idéia era explorar as ilhas mais distantes do arquipélago de Palawan. Na empreitada, acabaram conhecendo pescadores nômades, descobriram comunidades isoladas e hoje a empresa (fundada em 2006) conta com mais de duzentos ilhéus trabalhando, aprendendo e crescendo juntos em uma micro-economia sustentável.

 Meninos em Alava, Palawan, Filipinas. Foto: Patti Neves

Meninos em Alava, Palawan, Filipinas. Foto: Patti Neves

Após ter lido ótimas reviews em sites especializados (Lonely Planet, Travel & Leisure, etc) e de ter ouvido aqule boca-a-boca básico, decidimos experimentar a aventura de 5 dias.

Confesso que eu estava bem cética à princípio. 

Aversa à passeios turísticos, tenho horror de barcos lotados, gente bêbada tropeçando na minha canga ou pisando no meu snorkel.. 😅 

Sério gente, todo mundo tem um lado anti-social, não é?

Enfim. A expedição com a Tao Philippines começou quando nos encontramos pela primeira vez na sede da companhia em Coron (um dia antes da partida), onde discutimos os pontos básicos:

  • Nós estaríamos em um barco com outros 10 desconhecidos, pelos próximos 5 dias

  • Ficaríamos praticamente o tempo todo à bordo, parando somente para mergulhar ou saltar de rochedos (chato né)?

  • O isolamento serial total, nada de WI-Fi ou telefonemas possíveis

  • Dormiríamos em acomodações simples (cabaninhas de sapé), em qualquer uma das ilhas perto de onde estivéssemos

  • Não teríamos nenhuma rota definida, sendo o trajeto à ser decidido pelo capitão de acordo com as condições metereológicas

  • Eles providenciariam todas as refeições (a bordo ou nas ilhas) à partir de alimentos locais

  • Nós providenciaríamos todo o resto (repelente, protetor solar...)

Até aí tudo bem. Eu adoro programas roots, amo acampar e a proposta de paz e tranquilidade me parecia perfeita.

Mesmo assim eu estava receosa com o grupo. A palavra "grupo" me dá fobia, só isso... rsrs.

Na verdade éramos 12 adultos, de 8 nacionalidades diferentes (mais os 8 Filipinos da tripulação), em um barco de 24 lugares. Pra piorar a situação, eu estava para comemorar meu aniversário em poucos dias e queria ter certeza de estar em excelente companhia (exigente eu, né?)...

 

Dia 1: Lusong Island, Japanese Shipwreck, Ngey Ngey Camp Site e Buluang Place

 

 Expedição TAO nas ilhas de Palawan, Filipinas. Foto: Patti Neves

Expedição TAO nas ilhas de Palawan, Filipinas. Foto: Patti Neves

No primeiro dia lá estavámos nós, em companhia dos nossos novos colegas, ainda sem saber o que esperar dessa trip. 

A primeira parada de snorkeling foi no Lusong Gunboat, um barco de 25 m de comprimento, naufragado na segunda guerra mundial e tomado por corais, damselfish (calhetas), parrots (peixes- papagaio), stonefishes e outras criaturas marinhas.

O site, com profundidades de 5-15m, era ideal para iniciantes, e apesar de termos pego um pouquinho de corrente, tudo se passou tranquilamente. 

A segunda parada do dia foi o almoço em Ngey Ngey camp site (lugar divino), onde rolou uma chuvinha básica.

 Ngey Ngey camp site, Palawan, Filipinas. Foto: Patti Neves

Ngey Ngey camp site, Palawan, Filipinas. Foto: Patti Neves

Logo o tempo abriu, um joguinho de vôlei de praia começou e dez minutos depois o grupo todo já estava entrosado.

Cervejinha, uma pequena siesta e oups, todo mundo de volta pro barco (onde passaríamos o fim da tarde batendo papo, jogando cartas ou simplesmente relaxando) até chegar a Buluang, onde passamos a primeira noite.

 

Dia 2: Alava Village, Inapupuan Island, Cliff jumping e Caverna, Kulay Base Camp

 

No segundo dia o amanhecer foi muito tranquilo. Desde o início da expedição nenhum horário definido foi estabelecido (nem para dormir, nem para se levantar), entretanto a claridade do dia estava sempre se encarregando de botar todo mundo de pé (como em todo acampamento que se preze).

Tendo passado uma parte da manhã tentando pescar sem sucesso, nesse dia nosso barco atracou em um vilarejo de pescadores (Alava) onde nossos queridos tripulantes desceram comprar peixes.

Todo mundo acompanhou a operação e foi uma ótima oportunidade para um passeio no vila de pescadores, além de, claro, aquele mergulhinho básico para começar o dia!

Voltamos para o barco e enquanto ainda fazíamos snorkeling, o almoço para vinte pessoas foi preparado rapidamente.

 Almoço nas ilha remotas de Palawan, Filipinas. Foto: Patti Neves

Almoço nas ilha remotas de Palawan, Filipinas. Foto: Patti Neves

À tarde fomos saltar de um rochedo (em torno de 8 metros de altura) naquele azul maravilhoso de Palawan.

Depois daquela lambada "básica" na bunda, pouco tempo depois já estávamos todos (eufóricos) de volta pro barco.

Nesse dia fizemos snorkeling até chegar à uma bat-caverna (cheia de morcegos) onde entramos por alguns bons minutos e estimo que tivemos que nadar por pelo menos 20 minutos ininterruptos para voltar ao barco.

Outro ponto à salientar:  é importante que as pessoas embarcando nessa expedição saibam nadar bem e sejam um mínimo "fit" para acompanhar o ritmo.

 

Dia 3: Cagdanao Island, Drift Snorkeling, Tabayan Camp, Guinto Island

 

 Um dos meninos da Tao Philippines, voltando da vila de pescadores. Foto: Patti Neves

Um dos meninos da Tao Philippines, voltando da vila de pescadores. Foto: Patti Neves

Aqui  eu já estava eu alinhada total com o "poder do agora" (como definido por E. Tolle), vivendo completamente o momento presente, totalmente desligada de preocupações ou de qualquer outro barulho mental.

Já conhecíamos o programa: levantar a hora que todo mundo levantasse, tomar café juntos, bater papo, snorkeling... enfim, o paraíso.

Nesse dia fizemos um drift snorkeling, e como o nome diz, acabamos completamente arrastados por uma corrente um pouco mais forte  do que o esperado (meio chato pois era quase impossível de admirar os corais ou "parar" para observar os peixes), mas assim é a natureza, e quem diria, lá estava eu querendo resistir (de novo) às leis do universo.

Bom, pelo menos conseguimos UMA fotinho do Nemo. Nada mal. 

 Ilhas remotas de Palawan, Filipinas. Foto: David Mattatia

Ilhas remotas de Palawan, Filipinas. Foto: David Mattatia

Depois do almoço, o barco atracou em outro vilarejo, dessa vez para embarcar duas galinhas a bordo (mal sabíamos que as coitadas seriam nossa próxima refeição), em mais um momento surreal da viagem.

Enfim, à noitinha ganhei o meu "parabéns pra você" e o bolo que estava escondido o tempo todo apareceu de repente (aparentemente eu era a única que não tinha visto - Thanks David)! Nessa noite assistimos um show de dancinhas com fogo na praia, performance Filipina local. Algumas doses à mais e estávamos todos dançando juntos. 

Até agora não canso de me espantar como esses meninos Filipinos são talentosos: cozinheiros, pescadores, dançarinos, mergulhadores, marinheiros, entertainers.... Só de imaginar como é a formação profissional deles eu já fico zonza... hahaha... meu CV não iria funcionar na TAO 😱

 

Dia 4: Cobra Island, Octopuss Chase, Takling Island, The Farm Base Camp

 

 Ilha desconhecida, Palawan, Filipinas. Foto: Patti Neves

Ilha desconhecida, Palawan, Filipinas. Foto: Patti Neves

Logo cedo nos lançamos à agua e aquela rotina chata de snorkeling recomeçou.

Voamos o drone só para conseguir imagens horrorosas novamente. Uahhhh.... tédio (*ironia*, please)...

Um dos tripulantes encontrou um polvo debaixo debaixo dos corais e eu já estava ficando angustiada com a idéia "porquê incomodar o pobre animal" quando o golpe fatal foi desferido: um dos meninos Filipinos simplesmente mordeu parte da cabeça de polvo e para resumir a estória, o coitado acabou frito no barco algumas horas depois. Pra ser sincera eu não tive vontade de experimentar o polvo (e nem da nossa galinha "refém" diga-se de passagem)...

OK, agora podem me chamar de hipócrita. Esses são os alimentos principais das ilhas e fica complicado de pedir pra comer salada de kale com trufas ou abacate orgânico, se é que vocês me entendem.

Acho que não preciso mencionar que essa viagem não é muito recomendada para veganos. E muito menos para gente fresca.

 Caça ao polvo, ilhas de Palawan. Foto: Patti Neves

Caça ao polvo, ilhas de Palawan. Foto: Patti Neves

À tardinha fomos conhecer a Tao farm, o coração do projeto auto-sustentável.

Lá eles criam porcos, plantam frutas e dão apoio logístico à todos os barcos da Tao, ou seja, é o lugar onde todas as expedições tem que passar para reabastecer pelo menos uma vez.

Sorte nossa, passamos a última noite na fazenda deles, com as cabaninhas de sapé mais luxuosas que vimos em toda a expedição. 

Alguém pensou em glamping..?  

 Tao Farm, ilhas remotas de Palawan, Filipinas. Fotos: Patti Neves

Tao Farm, ilhas remotas de Palawan, Filipinas. Fotos: Patti Neves

A visita na Tao farm não seria completa sem alguns incidentes com os cachorros ilhéus, claro. Aonde quer que passemos temos que arrumar pelo menos um bafão!

Conselho: Nunca voem drones se houverem cães "caipiras" por perto. Eu explico:

Cinco cães (sério) avançaram saltando mais de um metro de altura na direção do nosso drone e não deixaram o bicho pousar em lugar nenhum. Claro que os sensores não deixaram barato, e com todas as interferências ao redor, o drone resolveu, de maneira inteligentíssima, "escapar do perigo por conta própria", o que resultou em uma colisão feia com um dos coqueiros e uma queda fatal. Oups. Problemas de primeiro mundo.

À parte os incidentes pessoais, a cozinha da fazenda Tao era simplesmente espetacular.

 Tao farm, Palawan, Philippines. Foto: David Mattatia

Tao farm, Palawan, Philippines. Foto: David Mattatia

À cada noite éramos também convidados a botar a mão na massa, e acabamos descobrimos um prato (batizado por alguém do nosso grupo) de "banana Inception": creme de banana, dentro de outra banana, enrolado em mais cobertura de banana 🤗 ... 

 

Dia 5: Retorno à El Nido

Leia-se retorno à civilização.

Infelizmente, nesse dia o tempo estava feio e optamos por um batidão até uma das praias de El Nido, o que significa que passamos boa parte do tempo bebendo cerveja e contando piadas enquanto o barco seguia à todo vapor.

Chegamos à praia (lotada, pois era Domingo) e só os "homens do barco" foram convidados à "dar uma volta" (a convite dos meninos Filipinos), coisa que deixou as meninas um pouco chateadas. 

Eu acabei encontrando com o grupo de meninos na barraquinha de birita da praia - pois estava caminhando ao acaso junto ao meu companheiro - e o comportamento machista da tripulação nos chamou atenção: as meninas ficaram na praia por quase 2 horas, com fome, no mormaço, olhando o vazio esperando "eles voltarem" enquanto os rapazinhos foram biritar e jogar bola em outro canto, despreocupados. 

Idéia infeliz da Tao e ponto negativo para a tripulação, afinal deveriam ter chamado todo mundo, né?

Conclusão:

1) Nenhuma viagem pode ser 100% perfeita

2) Para as meninas: vale a pena não se deixar desestabilizar por convenções sexistas pois se eu tivesse concordado em ficar lá quietinha, sentadinha com as meninas "esperando sei lá o que", não teria passeado pela praia nem experimentado a melhor Piña Colada que tomei na vida (leite de coco extraído na hora, suco de abacaxi natural e ainda por cima SEM aquela porcaria do Malibu dentro).

 Expedição TAO nas ilhas de Palawan, Filipinas. Foto: David Mattatia

Expedição TAO nas ilhas de Palawan, Filipinas. Foto: David Mattatia

Espero que tenham gostado do meu relato, e aqui vão os conselhos práticos para quem pretende embarcar na próxima:

 

O que levar na expedição Tao ?

 

O site da Tao recomenda (e eu assino embaixo):

  • Dry bags (pelo menos 1 de 30 L por pessoa)

  • Chapéu, boné, protetor solar e óculos de sol

  • Sarong (para meninos e meninas)

  • Garrafa de água reutilizável

  • Toalhas, gel de banho, escova de dentes, shampoo etc.

  • Lanterna ou headlamp (para encontrar o caminho no escuro)

  • Troca de roupas, shorts e camisetas leves para 5 dias

  • Carregadores de bateria, cabos

  • Pelo menos dois maiôs de banho (as vezes um só não seca no dia seguinte)

  • Rashguard (aquela camiseta surfista que protege ombros e braços do sol)

  • Gel para aliviar picadas de insetos

  • Repelente

  • Sandálias ou sapatos para caminhar em recifes

  • Câmera

  • Livros

  • Um casaco de chuva leve

  • Lenços umedecidos

  • Seguro Viagem

Outro detalhe são as duchas à céu aberto: Normalmente você estará protegido apenas por um tapume de bambu, mas é importante lembrar dos chinelos para proteger os pés.

Os banheiros são construídos em casinhas, então não tem aquela chatice de usar buraquinhos na natureza. Tudo limpinho e bacaninha (fora os encontros com aranhas ou escorpiões à noite, mas essa aventura acaba acontecendo exatamente como o itinerário: sem garantia nenhuma).

 Ilhas remotas de Palawan, Filipinas. Foto: Patti Neves

Ilhas remotas de Palawan, Filipinas. Foto: Patti Neves

 

Logística de alojamento Coron - El Nido

 

A expedição pode ser feita de Coron até El Nido ou de El Nido até Coron. De todo jeito você precisará voar para um desses dois pontos antes de embarcar com a Tao. E também precisará dormir nessas duas cidades: uma noite antes da expedição e uma noite depois (opcional mas recomendado).

Normalmente a chegada de todo mundo nas Filipinas se dá por Manilla. Nós optamos pelo vôo até Coron (Francisco B. Reyes Airport). 

Em Coron é necessário comparecer ao primeiro meeting da Tao (um dia antes) e fazer os últimos preparativos para a viagem (ex. transferir tudo o que você vai precisar no barco para o dry bag) antes de embarcar. As bagagens principais ficam estocadas no barco e você só terá acesso à elas uma vez por dia, antes de desembarcar para dormir nas ilhas.

Opções de alojamento em Coron:

Na chegada à El Nido, você poderá se hospedar em um lugar bacana e finalmente descansar (merecidamente) antes de ir até o aeroporto. El Nido oferece melhores opções de estadia do que Coron.

Opções de alojamento em El Nido:

Dica: Se o seu objetivo for voar para Manila logo após a expedição, os vôos Puerto Princesa - Manila normalmente são bem mais em conta do que os vôos El Nido - Manila. El Nido é um complexo turístico extensivamente explorado e consequente os preços em El Nido não refletem o do resto do país.

Se você tiver tempo e quiser economizar, essa é uma boa saída: chegando a El Nido você poderá se transferir até Porto Princesa e voar para Manila de lá. Em compensação, o transporte EL Nido - Puerto Princesa pode levar até 5 horas de minivan. 

 

Melhor época para visitar as Filipinas: 

 

As Filipinas são mais "frequentáveis" durante a estação seca, entre Novembro e Abril. Nessa época do ano, o país é totalmente acessível, incluindo suas áreas mais remotas.

As temperaturas mais altas são em março e abril, por isso é melhor viajar durante os meses mais frescos de Dezembro a Fevereiro. De qualquer maneira você não precisará se preocupar com calças compridas ou moletons, nas expedições TAO eles até aconselham a não trazer.

Nós fizemos a expedição Tao no mês de Junho, e tivemos realmente alguns dias de chuva, mas nada que atrapalhasse nossa trip.

Com relação aos valores, aconselho entrar em contato diretamente com a companhia, pois tudo dependerá do estilo da trip (3 ou 5 dias), itinerário (El Nido - Coron ou Coron - El Nido) e número de pessoas participando.

Se você está indo pela primeira vez às Filipinas (ou está indo só) e gostaria de encontrar outros viajantes na área, junte-se ao nosso grupo Facebook Viajantes no Sudeste Asiático. Eu mesma administro o grupo que conta com vários moradores da região além de mochileiros e nômades digitais.

 

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