Tailândia: Viagem dos Sonhos?

Que atire a primeira pedra quem nunca sonhou com uma viagem à Tailândia!

Mas nesses últimos tempos venho me surpreendendo com o número de novos viajantes (aka millennials) se referindo à Tailândia como "destino modinha" em fóruns de viagem e grupos Facebook.

Mas será que isso existe mesmo? 

Estive na Tailândia a primeira vez em uma viagem solo há 8 anos atrás, e encontrei praias cheias, gente do mundo inteiro, e claro, turistas reclamando de outros turistas.

Desde então, tive a oportunidade de retornar diversas vezes, em casal, com amigos, e surpreendentemente tudo continua exatamente igual. 

Como assim?

Talvez os brasileiros mais jovens ainda estejam um pouco desinformados para saber que a “modinha” começou nos anos 60, logo que os soldados americanos começaram a ir para lá se recuperar após os conflitos da guerra do Vietnã. 

Desde então, o número cresceu de 336.000 visitantes estrangeiros e 54.000 soldados (em 1967) para 32.59 milhões de visitantes em 2016 segundo dados do Tourism Authority of Thailand (TAT).

E ainda vale a pena ir até a Tailândia?

Não é o objetivo desse post discorrer sobre as vantagens e desvantagens de visitar o país, mas talvez criar um pouco de consciência sobre os últimos fatos.

Os jornais The Guardian e BBC anunciaram em Fevereiro que a Maya beach iria fechar em Junho de 2018, fato que não havia sido confirmado oficialmente pelos orgãos oficiais da Tailândia até o último minuto, quando um break de 4 meses para "rejuvenescimento" foi anunciado pelo site da TAT (Tourism Authority of Thailand). 

O fato é que muitos dos corais da Tailândia estão sendo destruídos, e as causas principais são os barcos atracando sem qualquer cuidado e resíduos plásticos regularmente despejados no mar.

A TAT citou também alimentação dos peixes e manuseio de espécies pelos turistas, que embora pareçam causas menores, são também fatores importantes.

Em uma das minhas idas, tive o desprazer de encontrar esse pobre macaco tomando veneno em uma popular parada de barco próximo à Maya beach, a chamada "Monkey beach":

Na época eu não tinha um blog, então aproveitei para re-publicar essa foto do meu próprio IG, na esperança de fazer as pessoas refletirem.

Então qual é a desse post? desanimar quem está indo, criticar o sistema capitalista, me achar a "diferentona"?

Não. O turismo representa uma boa fatia do PIB da Tailândia e boicotar o país não vai ajudar em muita coisa.

Bom senso na hora de escolher hotéis (o ecoturismo existe, mas precisa fazer o esforço de procurar), passeios de barco e o nosso próprio comportamento em relação ao consumo (evitar comprar bebidas em embalagem de plástico, por exemplo) já ajudariam bastante. Sem contar na manipulação de espécies marinhas e o escandaloso turismo envolvendo elefantes.

Se você tiver dúvidas de onde ir ou quiser se conectar com outros viajantes, participe do nosso grupo Facebook Viajantes no Sudeste Asiático . Eu mesma administro o grupo, que conta com vários expatriados morando na área.

Agora que já falamos do essencial, acredito que nenhum marinheiro de primeira viagem vai querer deixar de visitar os básicos da Tailândia, e para ajudar nessa tarefa, resolvi buscar inspiração em blogueiros e instagrammers, pois ninguém melhor do que eles para ilustrar a razão do destino continuar tão popular.

E o que visitar na Tailândia?

1. Bangkok

Deixe pra lá o que você possa ter ouvido sobre a capital (caótica, sufocante, poluída). Seria uma heresia completa não passar pelo menos 3 dias inteiros por lá. Comece pelo suntuoso Grand Palace: um complexo de edifícios bem no coração de Bangkok. 

O palácio era a residência oficial dos reis do Sião (e em seguida da Tailândia) à partir de 1782.

Não deixe de ver também o Wat Arun, bem perto do Grand Palace, mas do outro lado do rio…

A foto abaixo representa bem minha recomendação! 😎

Já o Wat Pho é considerado a primeira universidade pública criada na Tailândia. E ainda mais surpreendente, na década de 50, mais quatro cursos de medicina tradicional foram criados: farmácia, clínica médica, obstetrícia e massagem tailandesa, ou seja, é um templo e uma universidade ao mesmo tempo!

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Encontrei a foto abaixo no IG do "Inda Vou lá" e achei o passeio da Renata inspirador. 

Também, depois dessa informação curiosa, quem é que não iria querer dar uma voltinha nessa universidade-templo? 

Dica: para sair do circuito turístico convencional, você poderá visitar o Wat Samphram, à 40 Km oeste de Bagkok. O templo pink, de 17 andares, parece saído de uma fábula (e ainda é relativamente desconhecido pelos turistas).

2. Krabi

Mas nem só de templos vive a Tailândia, e normalmente, a segunda parada preferida dos visitantes é no Sul. Phuket é o ponto de partida para Koh Phi Phi (oficialmente localizada na província e Krabi) e outras ilhas menores.

As ilhas Phi phi definitivamente caíram nas graças do povo desde que Maya beach apareceu no filme "A Praia" com Leonardo di Caprio (2000). Desde então a pequena ilha é regularmente invadida por hordas de turistas e as companhias de barqueiros, centros de mergulhos e hoteleiros não ficam pra trás. 

Muita gente ficou chocada quando até um MacDonalds (pasmem!) abriu por lá em 2017. A última fronteira da "ocidentalização" havia sido rompida. Será que "amamos  muito tudo isso" de verdade?

Mas apesar da muvuca reinante, verdade seja dita: pouca gente vai querer pular essa parte, então vá por sua conta e risco.

Depois não diga que não avisamos!

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Em  Krabi se encontra também Poda Island e a mítica Raley beach (também chamada Rai Leh). 

Duvido que a foto abaixo não vai fazer você começar a procurar tickets na Internet! 

Localizada entre Ao Nang e Railey Beach existe uma praia escondida chamada Ton Sai Beach.

Somente acessível por barco (à partir de Railey) Ton Sai é bem conhecida entre o pessoal da escalada e tem uma vibe meio hippie, bem charmosa. A hospedagem em Ton Sai também é mais em conta que em Railey.

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Dica: Se quiser rumar ainda mais para o Sul (quase fronteira com a Malásia), uma ilha bem recomendada é Koh Lipe.

Eu não cheguei à ir até lá, mas no blog 7Continents 1Passport você irá encontrar um post bem detalhado sobre como chegar (pssst.. pouca gente sabe)!

3. Surat Thani

Nessa província as coisas são relativamente mais chillax do que na costa oeste da península (Phuket/Krabi). Pelo menos as invasões de grupos inteiros de chineses ou russos (nada contra as nacionalidades, apenas contra os hábitos de viajar em grupos) são menos evidentes.

Koh Samui e Koh Phangan (essa última ilha merece um post à parte) são os destinos mais procurados para quem quer descanso, spas e contato com a natureza. Só fuja de Ko Phangan na época do Full Moon Party (Festival da Lua Cheia). Sim, corra para as montanhas! Exceto se você for um adolescente meio bobinho que nunca saiu de casa ou um americano acostumado a vomitar nos springbreaks da vida.

Na foto acima você vê o resultado do meu primeiro vôo (ever) com o drone em Koh Samui!

Infelizmente na nossa estadia lá não demos muita sorte com o tempo (chuvoso), mas com um resort desses ninguém precisaria de muito talento para voar um drone, né? 

 4. Chiang Mai

E agora uma pequena pausa para falar de Chiang Mai.

Como assim? Pulamos do Sul direto para o Norte da Tailândia? Sim gente, infelizmente alguns vôos serão necessários para cobrir as distâncias nesse complexo país (a não ser que você tenha muuuuito tempo) mas a boa notícia é que os vôos são bem em conta (AirAsia e outras low cost operam de boa), o que facilita bastante para quem tem pouco tempo e quer ver o básico.

Básico? E desde quando ver uma estátua de pato Donald plantado em um templo (comendo noodles ao lado de Buda) é básico?

Sorria! Você está na Tailândia. Enquanto estive por lá não consegui nenhuma explicação sobre essa cena maluca, mas se você souber a razão fique a vontade para abusar dos comentários no final desse texto! 

Agora falando sério, se eu pudesse citar um templo muito interessante (entre as dezenas de maravilhosos templos em Chiang Mai), seria esse:

No Wat Chedi Luang, as pessoas são convidadas a conversar com os monges (geralmente os novatos) e perguntar qualquer coisa sobre o budismo ou a Tailândia.

E gente, que foto deslumbrante, vamos combinar..?

5. Chiang Rai

Sempre tive vontade de ir ao "White Temple". Acabei não indo porque decidi passar reto e rumar ainda mais para o norte em Mae Ho Song (fronteira com o Myanmar), mas me arrependo ainda hoje (hehehe). Enfim, assunto pra um outro post.

Wat Rong Khun, é um dos templos mais famosos da Tailândia, pelo simples fato de que ele é o único do genro. Se destaca pela cor branca e uso de pedaços de vidro no gesso, cintilando ao sol. A cor branca significa a pureza do Buda, enquanto o vidro simboliza a sabedoria do Buda e o Dhamma, ensinamentos budistas.

Renata, do "Inda vou lá" conseguiu capturar toda a paz e a serenidade do local na foto acima.

Impossível mostrar aqui todas as fotos lacradoras de todas as maravilhas que a Tailândia tem para oferecer. Seria um post monstro!

Portanto vamos deixar de lado essas bobagens de "destino modinha" e a aproveitar a riqueza cultural de cada lugar com consciência. Não interessa a ninguém se você é viajante, mochileiro ou nômade digital. Os rótulos são bacanas para as pessoas que cultivam o ego, mas sinto informar que no meio da muvuca ninguém saberá quem você é.

A única maneira de se diferenciar um pouquinho da massa de turistas é se comportar melhor do que a maioria deles, respeitando o meio ambiente, os moradores e o país hóspede... E isso só depende de cada um.

E você? Já foi a Tailândia?

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 Tailândia, destino modinha? Foto: Patti Neves

Tailândia, destino modinha? Foto: Patti Neves

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