Como é Morar No Exterior?

 Segunda-feira em Singapura. Foto: Patti Neves

Segunda-feira em Singapura. Foto: Patti Neves

Quatro travel bloggers falam sobre morar fora do Brasil

Como é morar no exterior?

Que atire a primeira pedra internacional quem nunca ouviu essa pergunta...

Para quem acabou de aterrissar nesse página e não sabe nada sobre esse blog, tive a oportunidade de morar em 4 países (e 4 continentes) nestes últimos 15 anos. Visitei quarenta e cinco países até essa data e pretendo continuar viajando...

Sem me estender demais em circunstâncias pessoais, tenho a dizer que até os 25 anos de idade a minha única língua fluente era o português (hoje falo 4 idiomas) e ninguém da minha família morava no exterior.

Para os curiosos de plantão, se perguntando qual é a "fórmula mágica" para viver no exterior, aconselho a ler o post:

Como Viver Viajando!

Portanto, se você tem vontade de morar fora do país por um tempo, saiba que todo mundo pode fazer! 

E qual é o melhor país?

São muitos anos que eu escuto comparações inevitáveis entre morar no exterior X morar na nossa terrinha. E isso acontece TODAS as vezes que eu vou pro Brasil...

Basicamente o povo sempre quer saber se o Canadá é um país melhor do que o França ou se eu prefiro Singapura ao Brasil.

E eu sempre respondo que essa pergunta equivale à questionar se o maracujá é uma fruta melhor do que a banana. 

São todas frutas, está certo, mas estamos falando de fazer uma caipirinha, ou de fazer um lanche no meio da tarde? 

Acredito que cada país é melhor em alguns pontos, sendo assim existem cidades ótimas para fazer balada, outras melhores ainda para arrumar um bom emprego e com certeza existirá uma melhor ainda para pagar menos impostos (só pra citar alguns critérios)...

Tudo depende do que VOCÊ está procurando para a sua vida!

Leia também: Como Trabalhar fora do Brasil?

Pensando nisso, e tentando dar uma maior perspectiva aos amigos querendo saber sobre a vida no exterior, entrevistei quatro blogueiras morando fora.

Falamos de cidades tão diferentes quanto Barcelona, Copenhague, Aix-en-Provence e Cascais... 😎  

 Barcelona, vista de um ângulo diferente. Foto: Pixabay

Barcelona, vista de um ângulo diferente. Foto: Pixabay

Barcelona

Espanha

Gabi & Fábia do blog LGBT Estrangeira são casadas e moram juntas há 2 anos na cidade.

1. Por que Barcelona?

Viemos fazer um curso de pós-graduação em 2015 e nos apaixonamos. Sabíamos que essa era a cidade das nossas vidas, onde queríamos viver! Barcelona é uma cidade linda que mistura praia e montanha, cidade e natureza, estrutura para shows e festas internacionais com a calmaria dos bairros... 

A qualidade de vida é sensacional!

2. O que vocês fazem em Barcelona?

Depois de algumas experiências de empregos aqui, estamos nos dedicando exclusivamente ao nosso blog de viagens LGBT Estrangeira. Também fazemos tours aqui em Barcelona e editamos vídeos para clientes no Brasil.

3. Precisaram validar algum diploma para se estabelecer?

Não. Durante quase um ano eu (Gabi) tive empregos fora do blog aqui em Barcelona, mas todos relacionados com comunicação (minha área de formação) e nenhum exigiu convalidação dos diplomas.

4. Para que tipo de pessoa você recomendaria Barcelona (ou a Espanha)?

Para quem gosta de um estilo de vida mais simples, morar em apartamentos menores, se locomover usando transporte público. Aqui a vida é mais simples. Também para quem tem interesse em aprender a língua castelhana, quer viver com mais segurança e está disposto a encarar uma cultura diferente e as dores e delícias de ser estrangeiro.

5. A vida no exterior: o que vocês gostam ou não gostam em comparação com o Brasil?Continuariam onde estão ou tem planos de voltar?

  • O que gostamos: segurança, melhor qualidade de vida, leis em relação à população LGBT, educação básica pública de qualidade, maior oferta de atividades artísticas e culturais gratuitas

  • O que não gostamos: as frutas que não tem aqui ou que são ruins (caju, manga, bananas variadas), o fato de os espanhóis serem mais frios que os brasileiros, saudades de receber abraços dos amigos - aqui mesmo um espanhol que é bem seu amigo não vai te abraçar...

Mas mesmo assim continuaríamos em Barcelona.

6. Qual seria o conselho para alguém que tivesse tentando exercer a mesma profissão? (ou que quisesse se mudar para Barcelona?)

Em relação ao blog: ter paciência, estudar e produzir bastante conteúdo. 

Temos o blog há 5 anos e só recentemente passou a ser nossa única fonte de renda (ambas trabalhamos no blog período integral).

Sobre mudar para Barcelona: aprender espanhol, nem que seja o básico. Eles não entendem portunhol como a gente tende a achar que entendem e não falar a língua te coloca em desvantagem extrema na hora de buscar trabalho.

Tentar vir de maneira legalizada, com visto de residência e estudo. A vida de um imigrante legal é difícil, a de um imigrante ilegal então nem se fala. Se sua escolha for Barcelona, tenha a mente aberta e se inscreva em um curso de catalão assim que chegar! 😀 

A língua é bem legal e importante no dia a dia. 

Falar inglês também ajuda muito aqui. Consegui facilmente trabalho por falar bem o idioma. No geral, eles não falam inglês e esse pode ser um diferencial.

Pesquise ao máximo antes de escolher o local onde irá morar. Saber as coisas boas é importante, mas ter noção dos defeitos ou das falhas também é. Criar uma expectativa saudável faz com que a adaptação seja menos complicada. 

 Uma vista clássica de Copenhague. Foto: Pixabay

Uma vista clássica de Copenhague. Foto: Pixabay

Copenhague

Dinamarca

A Laura Sette, do blog 7 Cantos do Mundo mora na cidade há quase 2 anos.

1. Por que Copenhague?

Quando me perguntam porque escolhi a Dinamarca, sempre digo que ela nos escolheu - digo "a nós" pois foi o Alexandre, meu digníssimo, quem teve uma proposta de trabalho, o que nos trouxe até aqui.

Larguei meu emprego, minha família e decidi embarcar nessa junto com ele. O curioso é que, meses antes, eu já estava farta do meu trabalho, tinha juntado uma grana e estava pronta para pedir demissão e viajar o mundo.

Aí surgiu a proposta e pensamos: "por que não?". Não tínhamos nada a perder. Pelo contrário, era parte do plano.

2. O que vocês fazem em Copenhague?

Sou bióloga de formação, mas não atuo na área por aqui.

Minha principal atividade profissional atualmente é o blog e outros projetos em que trabalho como autônoma ou freelancer - e que, no caso, poderia realizar de qualquer lugar do mundo. O nosso vínculo com o país é o trabalho do Alexandre, que é desenvolvedor.

3. Precisaram validar algum diploma para se estabelecer?

A maior barreira para trabalhar na Dinamarca é sem dúvida a língua, já que o dinamarquês fluente é exigido na maioria das empresas - a não ser que você seja da área de TI. Daí você está no paraíso! 

Há muitas oportunidades de trabalho para profissionais de TI, com excelentes salários, na Dinamarca e em vários outros países europeus.

As únicas exigências são: falar inglês e ter experiência e competência comprovadas (diploma nem sempre é exigido).

4. A vida no exterior: o que vocês gostam ou não gostam em comparação com o Brasil. Continuariam onde estão ou tem planos de voltar?

  • Gostamos do estilo de vida, da segurança, da bicicleta como transporte, do jeito "de boas" do dinamarquês, do estilo hygge, dos dias de verão com 17 horas de luz, do bolo de cenoura versão dinamarquesa, do hábito de tomar café, do fato da maioria dos vegetais serem orgânicos, de eles reciclarem praticamente todo o lixo, de ter meu próprio trabalho e fazer meu horário, de estar na Europa com facilidade de conhecer vários países

  • Não gostamos do frio quase constante (a média anual de temperatura é 7,7°C), dos dias curtos no inverno (apenas 7 horas de luz), da língua ser muito difícil e ser uma barreira para oportunidades, de não ter tapioca, açaí, palmito, farofa, pão de queijo, mandioquinha, mamão, maracujá (a lista é grande!), de não haver rios e montanhas no país

No geral, gostamos da Dinamarca, e aprendemos muito nesses quase 2 anos! Mas sei que não quero ficar para sempre (ou por muito tempo mais).

Nada pessoal, eu é que tenho uma inquietude e uma curiosidade infinitas e ainda quero viver mais dos 7 cantos do mundo.. 😎

 Dia de mercado em Aix. Foto: Patti Neves

Dia de mercado em Aix. Foto: Patti Neves

Aix-en-Provence

França

A Natália do blog Destino Provence mora na França há 8 anos.

1. Por que Aix-en-Provence?

Mutação profissional - a escolha do destino ficou a cargo do RH da empresa onde meu marido trabalha.

2. O que você faz em Aix?

Atuo como fotógrafa e psicóloga.

3. Precisou validar algum diploma para se estabelecer?

Cursei 2 anos de mestrado após ter a graduação validada, somente após conclusão do mestrado pude exercer como psicóloga dentro da minha especialidade (clínica). 

Fiz estágios com fotógrafo profissional pra aperfeiçoar a técnica fotográfica.

4. A vida no exterior: o que vocês gostam ou não gostam em comparação com o Brasil. Continuariam onde estão ou tem planos de voltar?

Segurança e qualidade de vida aqui são itens importantes. Os planos são pra ficar onde estamos.

5. Para que tipo de pessoa você recomendaria Aix-en-Provence (ou a França)?

Para quem deseja conhecer além dos estereótipos que se tem dos franceses. Acho que vale pra qualquer país, é importante ter a mente aberta e tentar entender a cultura local.

6. Qual seria o conselho para alguém que tivesse tentando exercer a mesma profissão? (ou que quisesse se mudar para a França?)

  • Pesquise bem o mercado do lugar onde pretende se instalar. Se o objetivo for exercer psicologia como clínico, é essencial ter um bom nível de francês, vale contar ao menos 3 anos de preparação antes de se lançar num consultório. Existe bastante demanda, mas também existe bastante oferta, centralizada sobretudo próxima às grandes universidades

  • Procure entender o porquê das perguntas que o francês faz quando nos instalamos em seu país. O intuito dele, na maioria das vezes, é saber o que faz uma pessoa deixar seu país de origem para se estabelecer no exterior, devendo aprender outro idioma, outros códigos sociais, construir uma nova rede de amizades e profissional

Pra muitos, isso é fonte de medo, e ouvir os relatos é uma boa forma de estabelecer contato com a pessoa. Perdi as contas de quantas vezes contei tooooda minha trajetória pra colegas de faculdade que viraram amigos e colegas de trabalho.

 Marina de Cascais, Portugal. Foto: freeimages

Marina de Cascais, Portugal. Foto: freeimages

Cascais

Portugal

A Ana Carolina, do blog Um Olhar Novo mora em Cascais há 1 ano.

1. Por que Cascais?

Decidi me mudar com a família – sou casada e tenho dois filhos – buscando melhores condições de vida para eles. Segurança e perspectivas de futuro foram determinantes.

Escolhemos Portugal em razão da segurança, clima e língua. Além disso, já tínhamos estado no país em outros momentos, como turistas, e já éramos apaixonados.

Eu precisava que fosse um lugar perto do mar, e por isso, decidimos por Cascais.

2. O que vocês fazem em Cascais?

Atualmente vivemos da renda do meu marido. Os salários em Portugal são mais baixos que no restante da Europa, e eu não voltei ainda ao mercado de trabalho.

Estou em busca de monetizar o blog e trabalhar com turismo, mudando completamente de área (sou Advogada).

3. Precisou validar algum diploma para se estabelecer? 

Eu validei meu diploma (Direito) e faço um mestrado em Direito Público, mas não estou trabalhando no momento.

4. Para que tipo de pessoa você recomendaria Portugal? 

Portugal é um país encantador. Nunca estive em uma cidade que não gostasse.

Recomendo o país para as pessoas que não precisam de renda imediata, pois os salários são mais baixos que no restante da Europa. No momento, o país tem vivido um “boom imobiliário” e isso tem feito os alugueis (arrendamentos) subirem significativamente.

Se a pessoa busca qualidade de vida, é um lugar excelente para se viver.

5. A vida no exterior: que você gosta e não gosta em comparação com o Brasil? Continuaria onde está ou tem planos de voltar? 

Só há uma coisa que não gosto – sinto o país ainda muito machista. Isso me preocupa e incomoda, mas entendo que há processos naturais de alteração, empoderamento, conhecimento.

Não possuo planos de voltar. Sinto uma paz que nunca senti antes. Há um estilo de vida leve no país.

Leia tembém: Como Viver Viajando

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