Como Viver Viajando?
 Frenchman's cove, Jamaica. Foto: Patti Neves

Frenchman's cove, Jamaica. Foto: Patti Neves

Quem me conhece um pouquinho ou leu a seção sobre mim desse blog, sabe que eu não consigo ficar parada.

Nos últimos 15 anos foram quase 50 países visitados, incluindo os 4 países onde morei!

Só neste mês de Junho, estive nas Filipinas, na Malásia e no Sri Lanka.

Mas como viver viajando? ✈️

Antes que eu responda à pergunta que não quer calar, vou mencionar uma mensagem que recebi no Facebook :

"Eu sempre quis viajar, mas eu ainda tô estudando e não tenho grana. Além do mais, meus pais vivem me enchendo pra eu terminar a faculdade. Tenho vontade de largar tudo e viajar, talvez criar um blog, mas não sei como ganhar dinheiro com isso. Como você faz para viver viajando?"

Sim, é uma boa questão. Diploma pra quê, se o que você quer mesmo é viver viajando?

Confesso que na minha época de faculdade ainda estava longe o tempo em que "bloggers" ou "influencers" existiam como carreiras, portanto não tive essa opção. Já os millenials pensam diferente...

Mas será que hoje em dia seria possível viver "só" viajando?

Talvez a pergunta certa seria:

Será que existe alguma uma carreira onde você pudesse viajar o tempo todo (ou quase), ganhando bem e ainda por cima fazendo o que gosta? 

O dilema: estudar ou viajar

Se você já se encontrou nessa situação, tentando decidir se "vai se formar engenheiro" ou se "vai largar tudo e viajar", pense duas vezes porque... talvez você possa fazer os dois

É uma questão de descobrir o que você realmente gosta de fazer e de como vender suas habilidades para poder viver viajando.

Pensando nisso, decidi escrever 3 dicas para quem está vivendo esse dilema.

1. Faça seu trabalho atual em um outro País ✔️ 

Eu me formei Veterinária no Brasil, juntei uma grana e logo depois fui à França fazer minha pós-graduação (sem bolsa nenhuma). 

Nessa época, eu trabalhava 2 ou 3 noites por semana como barmaid, era residente no hospital veterinário da universidade (tempo integral) e viajava pela Europa em mochilões improvisados sempre que eu tinha um feriado! 

No final de 5 anos em Paris, resolvi fazer um último "teste" e viajei um mês inteiro, sozinha e quase sem grana. 

Fui ao Leste Europeu só usando o Couchsurfing, entre outros mochilões malucos (e mega econômicos)…

Aprendi nessa época incrível que não é necessário ser rico para viajar

No final, acabei conseguindo um contrato de trabalho e uma relocação no Canadá, onde acabei trabalhando como Vet Patologista em uma companhia Americana por outros 7 anos.  

Acabei até me especializando em toxicologia por lá, já que até então minha experiência na Europa se restringia à patologia geral…

 Na rua de casa em Montreal, 2015. Foto: Patti Neves

Na rua de casa em Montreal, 2015. Foto: Patti Neves

Nem preciso dizer que com a grana de um trabalho especializado, foi ainda mais fácil continuar viajando, agora usando Montreal como base para visitar tudo ao meu redor. 

Dessa vez o Canadá, os EUA, a América Central e o Caribe eram meus playgrounds!

Algumas pessoas não sabem mas as férias dos países ditos desenvolvidos são bem mais flexíveis do que no Brasil, possibilitando criar 5-6 mini-férias anuais (emendando as férias anuais com os feriados), e ainda aproveitando a imensa vantagem financeira do câmbio. Sem contar que em algumas companhias você ainda pode pedir "unpaid leave" que são as férias adicionais não remuneradas.

Nesse meio tempo encontrei vets espanhóis que trabalhavam na França, enfermeiros australianos praticando em Londres e dentistas brasileiros em Montreal, além de muitos outros profissionais que vieram a confirmar minha teoria: 

Se você gosta do que está fazendo, provavelmente não precisará mudar de carreira só pra poder viajar.

Pesquise o que dá pra fazer com o seu trabalho atual.

E se você gosta do que está estudando, não abandone para ir viajar...

 North Ari Atoll, Maldivas. Foto: David Mattatia

North Ari Atoll, Maldivas. Foto: David Mattatia

Ninguém te disse que você só poderia exercer tua profissão no Brasil...

Se você já é formado (ou já trabalha para alguma empresa) mas ainda não sabe como começar, procure saber:

  • Se você conseguiria trabalhar para a sua empresa de forma remota

  • Se a sua companhia tem escritórios no exterior onde você poderia ser transferido

  • Se você poderia se candidatar para o mesmo cargo que você tem hoje (em um outro país)

Você vai precisar de:

  • Força de vontade e determinação para aprender (e dominar) outra língua

  • Conhecimentos da sua área profissional no país onde pretende imigrar

  • Conhecimento dos orgãos que regulamentam a sua profissão lá fora

  • Conhecimento sobre a validação do diploma (e a duração/custo do processo)

  • Uma imensa cara de pau para acreditar que você é ainda mais competente de que os profissionais nativos

2. Crie a sua própria carreira ou reinvente-se totalmente ✔️

Se você tiver formação nas áreas de psicologia, nutrição, marketing ou jornalismo, por exemplo, já pode trabalhar tranquilamente de forma remota. Basta um website para vender seus serviços online.

Mas se você não tiver tido a oportunidade de receber uma educação formal (leia-se diploma universitário), também não tem problema! Conheci muitas pessoas que só com a cara e a coragem ousaram aprender fotografia, design gráfico, ou mesmo web development e hoje viajam o tempo todo.

Quem conhece os empreendedores digitais (também chamados nômades digitais) sabem que eles se instalam em países com baixo custo de vida (ex. Tailândia) e trabalham remotamente, pois tudo o que eles precisam é de um laptop e uma conexão Wi-Fi.

Normalmente o período de permanência deles no país é atrelado à um visto turista (3 à 6 meses, dependendo do país), ou seja, eles não tem obrigações legais de pagar impostos nas localidades onde se estabelecem, nem de validar diplomas, mas a inconveniência é ter que ficar "mudando" o tempo todo.

Muitos também optam por blogging/vlogging ou produção de conteúdo de viagens. Esses modelos de negócios virtuais vivem de propagandas, links de afiliados e número de cliques. Mas vamos ser sinceros, nem todo mundo é capaz de obter uma renda completa somente com isso, portanto a maioria dos bloggers/vloggers/youtubers precisam trabalhar com várias fontes de renda, pelo menos nos primeiros anos.

No meu caso, além do blog, eu também trabalho como consultora independente na minha área (patologia toxicológica) para algumas empresas em Singapura. 

Essa área não é ainda muito desenvolvida no Brasil, portanto eu teria dificuldades de encontrar trabalhos na terrinha (veja como o feitiço pode virar contra o feiticeiro... há alguns anos eu achava que não conseguiria encontrar um emprego no exterior)!   

 Vendedor de flores em San Francisco. Foto: Patti Neves

Vendedor de flores em San Francisco. Foto: Patti Neves

Eu também criei um canal de Consultoria Online Para Futuros Expatriados no blog, visando orientar profissionais brasileiros (de qualquer área) que ainda estão começando a explorar suas carreiras no exterior, afinal ninguém nasce sabendo. Após ter imigrado 3 vezes eu bem sei que algumas informações não se encontram facilmente na net. Aliás se você tem interesse em saber mais sobre esse programa, pode enviar suas questões aqui.

Resumo sobre as carreiras independentes:

  • Blogging (qualquer assunto) ou venda de conteúdo para outros sites

  • Trabalhos criativos com imagens (usando câmeras, drones, laptops), venda de fotos ou serviços digitais para hotéis ou sites especializados

  • Consultoria online (estratégias de marketing, planejamento de viagens, coaching...)

  • Consultoria local com contratos pré-determinados (se você é especializado em algum tipo de indústria, como é meu caso)

Aqui, você vai precisar de:

  • Motivação para correr atrás dos seus sonhos

  • Uma boa-dose de autodidatismo

  • Espírito curioso e empreendedor

  • Cara de pau para se expor na internet e vender seus serviços

  • Desprendimento material (esqueça teu salário entrando todo mês 😅)

 Fazendo novos amigos na Índia. Foto: David Mattatia

Fazendo novos amigos na Índia. Foto: David Mattatia

Ps. Se você for professor em alguma área, não deixe de ler a inspiradora estória do Wagner, no blog Mochilão à Dois!

Última dica sobre reinventar-se, nível expert:

Se você tiver uma idéia maluca, e tiver a ousadia de tentar, pode pedir um sponsorship para realizar seu sonho.

Você poderá criar a sua idéia e vendê-la para alguma empresa depois! A Lalai Persson rodou o mundo um ano em festivais de música e conseguiu patrocínio pra isso.

3. Faça trabalhos anticonvencionais ✔️

É uma solução à curto prazo para os que não se sentem prontos para começar nenhum novo empreendimento online, mas querem ter (ou continuar) uma experiência no exterior.

Após muitos anos de trabalho corporativo, com horários de escritório bem precisos e reuniões chatíssimas em Singapura, eu abri mão da minha gaiola dourada. Eu costumava pegar vôos executivos internacionais várias vezes ao ano e era obrigada a apresentar trabalhos sobre assuntos que me faziam dormir. Criei vergonha na cara e decidi que meu maravilhoso salário de 6 dígitos por ano não me fazia feliz, então pedi demissão e peguei um sabático, e foi quando comecei esse blog!

Et voilà. Nunca é tarde. Pra quem está confuso e precisa se dar um tempo, ter algumas economias é essencial, portanto nunca cuspirei no prato da vida corporativa!

Leia também: Voluntariado com animais (Sudeste Asiático)

Mas se você também está nessa fase (se re-orientando profissionalmente), e ainda não tem nenhum novo projeto, poderá passar um tempo no exterior trabalhando em coisas que nunca imaginou, como por exemplo:

  • Empregos ditos "não-qualificados"

Os trabalhos mais simples são normalmente os mais honrados e este é um degrau necessário para quem não nasceu em berço de ouro. Adorei minha fase como garçonete/pós-graduanda na França e aprendi muito à respeito da vida!

O único porém aqui é certificar-se que você poderá trabalhar legalmente. Alguns países dão essa chance para estudantes estrangeiros, procure informações na net mas se você não souber por onde começar, entre em contato aqui.  

  • Trabalhos em fazendas, colheita de frutos

Muitos nômades digitais (e viajantes ocasionais) estão se aventurando a passar uns tempos no exterior ajudando em fazendas que fornecem refeições e alojamento.

Leia a experiência da Bárbara e do Vagner no ótimo post: Tudo Sobre Kiwi Picking na Nova Zelandia.

A Lívia testou o programa do WWOOF e ficou um tempo em uma fazenda na Noruega, onde aprendeu bastante sobre a agricultura orgânica, além da geografia e da história do local. Ela adorou!

Para ir direto à fonte você também pode consultar o site da  WWOOF ( Willing Workers On Organic Farms).

 Vendedor no mercado de Varanasi, India. Foto: Patti Neves

Vendedor no mercado de Varanasi, India. Foto: Patti Neves

  • Trabalho em Navios de Cruzeiros

Nessa modalidade também, o inglês é essencial.

Aliás amigos, não vamos criar ilusões. Sem inglês fluente é bem difícil criar uma vida confortável viajando. Você pode até criar o seu negócio online em português mas se os seu plano é sair viajando o mundo, comece pelo básico e aprenda inglês. Demorou.

O maior site para trabalho em navios é o All Cruise Jobs, mas existem muitos outros. Um site popular no Brasil é o Infinity.

  • Au Pair

Au Pair é um tipo de Nanny (ou Babysitter) que mora na casa dos clientes por um ano, ou mais, recebendo também as refeições em troca dos seus serviços com os babies. Ou seja, a Au Pair não paga aluguel nem as refeições, mas os horários de trabalho são estipulados pela família. 

Alguns sites: GreatAuPair e também AuPairWorld.  

Se o seu interesse é aprender francês, veja também informações (em português) sobre Au Pair na França no CampusFrance.

Também escrevi um post todinho sobre como estudar Francês gratuitamente em Paris!

Eu fiz esse curso e recomendo para quem estiver por lá de bobeira.

  • Programas de voluntariado

Dois grandes sites oferecem oportunidades de trocar trabalho por alojamento/refeições: são eles o WorkAway e o GoOverseas

Os trabalhos vão de serviços manuais (pintura, construção) ou mais específicos (design, marketing, etc). Você pode conferir aqui as dicas da Camila, que passou um ano e meio só fazendo voluntariado em hostels e escreveu um pouco dessa experiência aqui.  

Ps: hoje ela administra o próprio hostel no Chile!

Existem também programas de voluntariado com animais no Sudeste Asiático

Nesse tipo de esquema, viajantes podem economizar até 40% do valor que gastariam em diárias de hotéis, sem contar com a maravilhosa oportunidade de ajudar em uma causa realmente nobre.  

Resumindo: todo mundo, independente de idade, sexo ou condição social pode ter a qualidade de vida que merece, um salário decente e a oportunidade de viajar o mundo.

O único impedimento "real" que as pessoas encontram (na maioria dos casos) estão relacionadas ao medo de partir, de ter que recomeçar, de perder o salário fixo ou ter que abandonar o conhecido círculo de familiares e amigos. Portanto se "viver viajando o mundo" é a vontade do seu coracão, vá em frente e vá com medo mesmo, porque não existe crescimento dentro da sua zona de conforto.

 Bagan, Myanmar. Foto: Patti Neves

Bagan, Myanmar. Foto: Patti Neves

Para terminar, gostaria de transcrever as palavras do mestre Osho, em uma das minha citações preferidas:

"A palavra coragem é muito interessante. Ela vem da raiz latina cor, que significa "coração". Portanto, ser corajoso significa viver com o coração. E os fracos, somente os fracos, vivem com a cabeça; receosos, eles criam em torno deles uma segurança baseada na lógica. Com medo, fecham todas as janelas e portas – com teologia, conceitos, palavras, teorias – e do lado de dentro dessas portas e janelas, eles se escondem.

O caminho do coração é o caminho da coragem. É viver na insegurança, é viver no amor e confiar, é enfrentar o desconhecido. É deixar o passado para trás e deixar o futuro ser. Coragem é seguir trilhas perigosas. A vida é perigosa. E só os covardes podem evitar o perigo – mas aí já estão mortos. A pessoa que está viva, realmente viva, sempre enfrentará o desconhecido. O perigo está presente, mas ela assumirá o risco. O coração está sempre pronto para enfrentar riscos; o coração é um jogador. A cabeça é um homem de negócios. Ela sempre calcula – ela é astuta. O coração nunca calcula nada."

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